
As impressões médicas diante a eficácia e a segurança do balão gástrico
Com o crescimento da conscientização de viver uma vida saudável, muitas pessoas vêm buscando métodos para saírem do estado de sobrepeso ou obesidade, condições que provocam diversas consequências para o corpo, a mente e até para as formas de relacionamento.
A pandemia de covid-19 também aumentou essa noção. As fatalidades causadas pelo vírus fizeram com que todos percebessem como a vida é frágil e como viver ao máximo – e da melhor maneira possível – é uma necessidade.
Dentre as técnicas de emagrecimento, o balão gástrico está ganhando mais espaço como uma das possibilidades. Por ser um meio não invasivo, ou seja, que não requer cirurgias, tem os procedimentos de inserção, recuperação e remoção bastante simples.
Além de ser adotado por personalidades que estão sempre na mídia, o balão também ganhou fama por apresentar ótimos resultados, sendo possível perder entre 16 kg a 25 kg em um período de 12 meses.
Naturalmente, esse número varia de pessoa para pessoa, já que existem diversos fatores clínicos e psicológicos capazes de afetar a perda (e o ganho) de peso. Mas, de modo geral, os usuários do dispositivos costumam perder uma quantidade significativa e que certamente faz muita diferença em suas vidas.
Para que seja possível alcançar esses resultados, é preciso cumprir algumas “regras”: passar por uma reeducação alimentar, praticar exercícios físicos, fazer terapia e obter acompanhamento médico regularmente durante todo o tratamento.
Os profissionais consultados, geralmente, são endocrinologistas e nutricionistas. Esses últimos, em especial, têm um papel muito importante para esse sistema de perda de peso, já que são eles os responsáveis por orientar os pacientes em relação à alimentação.
Mas o que dizem esses especialistas sobre o balão gástrico?
Sobre o balão gástrico
De modo geral, os nutricionistas concordam que o balão é uma forma bastante eficaz de perder peso.
Um levantamento em 2016 mostrou que, até aquele ano, mais de 41 mil pessoas foram tratadas com o balão intragástrico no país. A média de emagrecimento foi quase de 18,5%, um número considerado muito positivo.
Em relação a reações negativas depois do procedimento, existe uma média de 7% de intolerância, o que é considerado bastante aceitável. Com o balão ajustável, no entanto, diversos casos adversos podem ser contornados com a alteração de tamanho do dispositivo – tanto para mais como para menos.
Outro consenso dentre a comunidade médica é que os cuidados antes do procedimento devem ser seguidos à risca.
Antes de colocar o balão

As pessoas que se encaixam nas requisições para usar o balão gástrico, antes de colocarem o dispositivo, devem respeitar alguns passos importantes para garantir que o corpo vai estar preparado para a intervenção.
As recomendações são:
- cortar o uso de medicamentos com ácido acetilsalicílico pelo menos 7 dias antes do procedimento
- fazer uma dieta de líquidos 3 dias antes do procedimento para hidratar o corpo durante os primeiros dias depois que o balão já estiver no estômago; isso também ajuda a diminuir sensações de náusea
- jejum total (alimentos sólidos, líquidos e medicações) de 6 a 8 horas antes do procedimento
- comparecer ao local em que o procedimento será realizado com um acompanhante maior de idade
- utilizar roupas que sejam confortáveis no dia da implantação do balão
Todas essas indicações impedem reações desagradáveis muito severas, assim como garante mais segurança ao paciente.
Depois de colocar o balão
Outros cuidados depois da inserção, com o balão já no corpo, também precisam ser seguidos.
Ao recuperar completamente os sentidos depois da sedação usada para a realização do procedimento, o paciente já pode voltar para casa e seguir com suas atividades normais, mas deve fazer isso com menos intensidade.
Obviamente, recomendações alimentares também devem ser colocadas em prática. Assim que o balão já estiver devidamente posicionado no estômago do indivíduo, é preciso seguir uma dieta especial:
- Etapa 1: dieta líquida (média de 10 dias)
- Etapa 2: dieta pastosa (média de 2 dias)
- Etapa 3: dieta leve (média de 5 dias)
A duração de cada etapa pode variar de acordo com a reação do organismo de cada pessoa. Quem vai determinar o tempo exato é o paciente e o médico que, juntos, avaliam o andamento do tratamento.
Nutrição
Parte fundamental do balão gástrico como método de perda de peso, toda a alimentação é estipulada pelo nutricionista responsável pelo caso, desde os estágios de recuperação até a retirada do instrumento.
Após a inserção do balão, além de seguir as recomendações do médico ao comer alimentos que não agridem o organismo, mas que também têm os valores nutricionais necessários, é melhor evitar:
- Chá preto;
- Café preto;
- Chimarrão;
- Tererê;
- Doces em geral;
- Refrigerantes;
- Petiscos e guloseimas em geral;
- Alimentos muito macios/moles que passam com muita facilidade pelo balão gástrico.
Esses itens podem ser prejudiciais para o controle calórico porque costumam ser ingeridos sem muito trabalho de mastigação, o que estimula o consumo em grandes quantidades.
Depois que o paciente estiver completamente recuperado do procedimento, chega a hora de investir na reeducação alimentar para valer.
O nutricionista receita planos alimentares, que detalham todos os alimentos permitidos, bem como menus completos que incluem café da manhã, almoço, jantar e lanches entre as refeições.
Os cardápios são individuais e personalizados, e levam em consideração alergias, intolerâncias alimentares e o gosto pessoal dos pacientes. Tudo isso, é claro, não deixando de lado os valores nutricionais para fortalecer o corpo, sustentar o estômago cheio e estimular mais saúde.
Durante esse processo, é essencial que o usuário preste bastante atenção ao comportamento do corpo e compartilhe, de maneira honesta, suas impressões com o nutricionista.
Diante desconfortos ou falta de resultados, as dietas são adaptadas para alcançar os melhores resultados e deixar a vida dos pacientes o mais simples possível.
Tudo isso garante a segurança das pessoas e maiores chances de que os efeitos do balão gástrico se estendam a longo prazo, mesmo quando o dispositivo for retirado – o que de fato acontece depois de um ano.
