
Por mais que seja normal a constante perda de peso em idosos, o quadro pode ser mais sério em alguns casos
A perda de peso em idosos pode ser um assunto preocupante, mas é importante ressaltar que nem sempre é um sinal de algo negativo. À medida que envelhecemos, é natural que ocorram mudanças no corpo e no metabolismo. No entanto, é essencial buscar uma avaliação médica para determinar se a perda de peso é saudável e gradual, resultado de mudanças no estilo de vida, ou se pode ser um sintoma de algum problema de saúde subjacente. O acompanhamento médico adequado é fundamental para garantir o bem-estar dos idosos durante o processo de perda de peso
De uma maneira geral, é relativamente comum que idosos percam peso ao longo dos anos, principalmente depois dos 60.
Isso acontece por causa da perda de tônus ou de massa muscular que vão ficando mais escassas ao envelhecer. Isso é perceptível na aparência física e na balança, aumentando a flacidez dos tecidos, o que dá uma sensação ainda maior de emagrecimento.
Essa perda de peso ocorre lentamente e começa de maneira bem sútil. No entanto, não necessariamente se aplica a todas as pessoas e pode variar de acordo com o estilo de vida de cada um.
Alimentação, exercícios físicos e possíveis condições de saúde pesam muito nessa conta.
Mas a perda de peso em idosos é uma situação pouco discutida e até diagnosticada, o que provoca maior incidência de desnutrição, mesmo que, na maioria das vezes, isso não seja notado.
Perda de peso em idosos pode ser desnutrição
Pesquisas globais mostram que o número de idosos com quadros de desnutrição vai de 15% a 60%, dependendo de onde e com quem vivem.
No cenário brasileiro, ainda existem poucos estudos sobre o tema, mas a Pesquisa de Orçamentos Familiares, realizada em 2010, indicou que cerca de 9% dos idosos apresentam déficit de peso.
A desnutrição não costuma ser muito considerada pelos médicos como um problema a se atentar, o que gera uma onda de subnotificação de dados para estudos que avaliam a real gravidade desse tipo de quadro sejam feitos.
O X da questão é que os sintomas de nutrição podem ser confundidos com sinais de envelhecimento, tornando o diagnóstico e conscientização bem mais complicado. São eles:
- Perda de musculatura
- Pele pálida
- Cabelos finos e quebradiços
- Fraqueza e cansaço excessivo
Outro ponto muito importante é que nem sempre o idoso desnutrido se encontra abaixo do peso.
O diagnóstico de desnutrição funciona com base na perda de peso involuntária, principalmente no percentual e velocidade.
Um idoso com peso considerado normal ou até em situação de sobrepeso ou obesidade pode estar desnutrido caso tenha perdido mais do que 10% do peso nos últimos 6 meses.
Por que isso acontece?
A condição pode ter conexão com a baixa variedade ou ao consumo insuficiente de alimentos, desencadeando o desenvolvimento de disfunções nutricionais – anemia ou deficiência de vitamina D, por exemplo, ambas comuns em idosos.
A falta de alimentação adequada pode ser atribuída a diversos fatores, como questões socioeconômicas, má saúde bucal – perda de dentes ou problemas nas próteses dentárias –, demência, uso de medicamentos que afetam o paladar, diminuição do olfato e uma série de doenças crônicas.
Problemas mentais e emocionais, como a depressão, também podem fazer com que a pessoa pare de se alimentar corretamente. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a doença atinge cerca de 13% da população entre 60 e 64 anos de idade.
Alterações fisiológicas também podem ser o motivo para a desnutrição. Quando alguém envelhece, sofre uma redução de grelina (chamada de “hormônio da fome”), ao mesmo tempo em que a produção dos hormônios sacietógenos (responsáveis pela saciedade) cresce. Tudo isso prejudica o apetite e a compreensão de satisfação.
O próprio envelhecimento, por si só, acarreta em modificações no trato intestinal e em uma baixa na absorção de nutrientes.
Além dos sintomas mostrados no começo deste texto, a desnutrição na terceira idade também faz com que o sistema imunológico fique mais debilitado, além de deixar os idosos mais vulneráveis a doenças infecciosas e a fraturas ósseas.
Como evitar a desnutrição?

De acordo com especialistas, é normal que os idosos apoiem suas refeições em chás, bolachas, pães, macarrão instantâneo e algumas sopas. Os motivos seriam praticidade e economia.
O grande problema é que esses alimentos não contam com os nutrientes necessários, fazendo com que o corpo acabe ficando fraco. Se a formação de massa muscular já é mais difícil nessa idade, fica ainda mais complicada sob má alimentação.
Para evitar a perda de peso em idosos, bem como a desnutrição, uma dieta balanceada deve ser adotada. Legumes, verduras, frutas, proteínas, carboidratos, vitaminas e sais minerais devem estar no cardápio diários da população da terceira idade.
Em caso de dúvidas sobre o que comer por causa de doenças como diabetes, hipertensão ou colesterol alto, o mais recomendado é consultar um médico geriatra e/ou nutricionista para saber quais alimentos são permitidos e quais são vetados.
Os pacientes de condições neurológicas ou que sofreram derrame podem ter dificuldade para engolir (disfagia), mas isso não é brecha para uma alimentação pobre e nem para bater os alimentos no liquidificador.
Essa estratégia faz com que a comida tenha seu volume aumentado, dificultando a ingestão em relação à quantidade no estado sólido. Isso faz com que o consumo nutricional caia, então não há muitos resultados nesse método.
Idosos com disfagia devem ser acompanhados por profissionais qualificados (nutrição e fonoaudiologia) para elevar a contribuição calórica e fazer exercícios que possam diminuir episódios de engasgo durante as refeições.
Fracionar as porções de comida ao longo do dia, introduzindo pequenos lanches nutritivos entre as refeições principais, também é uma ótima maneira de garantir mais saúde aos idosos.
Além disso, como é de se imaginar, consultas médicas e a realização de exames periódicos são extremamente importantes para reverter ou prevenir casos de desnutrição.
Ao menor sinal de anomalias, o médico responsável apresentará soluções mais adequadas para cada caso, como dietas especiais, rotina de atividades físicas, suplementos alimentares ou até mesmo acompanhamento psicológico.
Visto que a terceira idade é um período frágil, as recomendações médicas devem ser seguidas com toda atenção não apenas pelo idoso, mas também por seus familiares.
Balão gástrico para idosos
Para os casos contrários à desnutrição em idosos, ou seja, o excesso de peso, medidas de correção devem ser tomadas o quanto antes.
Dentre os métodos recomendados, as opções são as mesmas de pessoas mais jovens: reeducação alimentar, exercícios físicos e até mesmo o balão gástrico.
Não existe, exatamente, uma restrição de idade para o uso do balão, embora a maioria dos profissionais recomendem que os usuários tenham até 65 anos – o mesmo vale para a bariátrica.
De qualquer forma, quem vai determinar se o balão intragástrico é a ferramenta correta para o emagrecimento de um idoso são os médicos responsáveis por cada quadro.
Por causa da fragilidade da idade, as análises clínicas são ainda mais rigorosas. A confirmação da permissão do uso do balão vem por meio de estudos minuciosos em relação ao histórico de saúde do paciente, bem como bons resultados nos exames laboratoriais e psicológicos.
O período de tratamento e pós retirada do balão seguem a mesma lógica. É fundamental que haja acompanhamento especializado frequente e que a família acompanhe todo o processo de perto.
Nutricionistas, endocrinologistas, psicólogos, geriatras e educadores físicos elaboram instruções e programas personalizados, seguindo as especificações da idade e das particularidades de cada paciente.
O balão gástrico em idosos é, portanto, uma opção de perda de peso perfeitamente viável, mas que deve ser feita com o máximo de atenção e cuidado.
