
Alguns pacientes submetidos à cirurgia bariátrica sofrem com a Síndrome de Dumping. Entenda sobre ela e seus sintomas
Por mais que um procedimento cirúrgico seja considerado um sucesso, ainda é preciso seguir todas as recomendações do pós-operatório.
Os cuidados feitos depois de uma operação variam de acordo com o que foi feito, mas, de um modo geral, repouso, cuidados com a alimentação, não consumir bebidas alcoólicas e não fumar são algumas das exigências mais comuns após uma cirurgia.
Tudo isso serve para garantir a eficácia da intervenção e evitar complicações, sejam elas mais amenas ou mais graves.
É nesse cenário que a Síndrome de Dumping, uma condição que indica o não cumprimento dos passos do pós-operatório após uma cirurgia bariátrica, se encaixa.
O que é a Síndrome de Dumping?
A Síndrome de Dumping acontece quando a passagem do estômago para o complexo intestinal é mais rápida que o normal, chegando até o duodeno, que é a primeira parte do intestino delgado.
Isso acontece por causa da ingestão de alimentos com altas taxas de gordura e/ou açúcares por pacientes submetidos a algum tipo de cirurgia gástrica, como a Bypass ou a metabólica.
Esse problema, felizmente, não é motivo para grandes preocupações, já que não apresenta riscos muito severos. Entretanto, certamente é causador de bastante desconforto por causa dos sintomas que apresenta:
- Queda de pressão;
- Dor de cabeça;
- Sudorese;
- Sensação de tontura;
- Fraqueza;
- Coração acelerado (taquicardia e palpitações);
- Diarreia.
Quando os sintomas começam a surgir, o ideal é não embarcar em nenhuma atividade. Repouse – sentado ou deitado – até que o incômodo passe completamente.
Essa condição não afeta todas as pessoas que fazem uma cirurgia bariátrica, apenas as que não seguem as recomendações médicas sobre alimentação no pós-operatório.
Síndrome de dumping precoce
Nesse caso, os sintomas costumam aparecer pouco tempo depois das refeições em que alimentos com muito açúcar, gordura ou carboidratos simples foram ingeridos – de 10 a 30 minutos.
Dentre os sinais indicados acima, os mais comuns para esse caso são palpitações, suor excessivo, pressão baixa e sonolência.
Esse tipo é o mais comum, afetando cerca de 75% das pessoas avaliadas com Síndrome de Dumping.
Síndrome de dumping tardia
Nessa categoria, os sintomas começam a surgir mais tarde, de uma a três horas depois da refeição.
A Síndrome de Dumping tardia é considerada uma espécie de hipoglicemia – quando o nível de açúcar no sangue fica abaixo do normal – por causa da produção excessiva de insulina.
É mais rara de ocorrer, atingindo 25% dos pacientes com dumping.
Quais são os principais cuidados?

Depois que a síndrome é desenvolvida, não há, precisamente, algum método de cura. Essa condição passa a acompanhar o indivíduo durante toda a vida, mas como não há perigos efetivos, a maioria das pessoas aprende a conviver com isso sem grandes problemas, apenas evitando alimentos que sejam menos favoráveis.
Não existe uma listagem, porém, que aponte exatamente quais são os alimentos que podem desencadear o quadro. O paciente só tem essa noção depois da cirurgia, e aprende com a experiência ao ingerir comidas que talvez provoquem algum sintoma do dumping.
Mas o que se sabe é que o açúcar, a gordura e alguns tipos de carboidratos são mais suscetíveis a fazer com que os pacientes se sintam mal. Portanto, são justamente esses itens que devem ser evitados completamente – principalmente em período recente ao procedimento.
Além do mais, esses mesmos alimentos são barrados, de forma geral, de dietas criadas para reeducação alimentar, então realmente não há motivos para consumi-los.
Aos pacientes que verificam os sinais da síndrome com frequência, recomenda-se procurar um médico endocrinologista ou nutricionista para que soluções sejam encontradas.
Os recursos adotados são sempre associados à mudança de hábitos no plano alimentar, como por exemplo:
- Evitar o consumo de doces e comidas gordurosas;
- Fracionar a alimentação em, mais ou menos, 6 refeições por dia;
- Diminuir a quantidade de comida nas refeições;
- Evitar beber qualquer tipo de líquido durantes as refeições (faça isso 1 hora antes e/ou 1 hora depois de comer);
- Comer mais fibras com o intuito de retardar o processo de digestão;
- Mastigar com calma;
- Combinar o consumo de carboidratos com algum alimento rico em proteínas (como pão com queijo branco, por exemplo), para que o tempo de ingestão seja mais lento.
Método de emagrecimento sem risco de Síndrome de Dumping
A cirurgia bariátrica com Bypass Gástrico – também conhecida como Gastroplastia com Derivação Intestinal em Y de Roux – conta com ações que reduzem o tamanho do estômago e desviam o intestino.
Desta forma, o estômago libera a massa alimentar e os sucos gástricos no intestino delgado de maneira prematura, resultando na Síndrome de Dumping e seus desconfortos.
Por mais que o quadro não seja perigoso, ainda é um ponto negativo da bariátrica, que já é, por si só, um procedimento invasivo e com preparo e pós-operatório consideravelmente complexos e demorados.
É por causa disso que muitas pessoas se mostram relutantes diante da ideia de fazer uma cirurgia para perder peso.
A boa notícia é que existe um tratamento perfeitamente eficaz e muito mais seguro do que a bariátrica: o balão gástrico.
Apesar de algumas semelhanças, o balão é visto como uma alternativa para perda de peso muito mais segura do que a operação, já que não é invasivo. Sua implantação se dá por meio de endoscopia, portanto, não há a necessidade de cortes, incisões, suturas, etc.
O dispositivo é posicionado no estômago do paciente e, quando cheio, ocupa cerca de 50% da área, diminuindo sua capacidade de armazenamento sem precisar alterar sua estrutura física natural.
O resultado disso é maior sensação de saciedade e, consequentemente, a perda média de 15 a 20% do peso total inicial.
O balão gástrico não apresenta qualquer risco para a Síndrome de Dumping porque não mexe na disposição anatômica do sistema digestivo de maneira permanente.
Caso o balão, por alguma razão, tenha que ser retirado, isso é feito de forma simples e rápida, também via oral. O corpo volta a operar como antes porque nenhuma mudança definitiva foi aplicada.
De qualquer forma, as chances de complicações do tratamento com o balão também são bem mais baixas, então não há motivos para se preocupar demais.
