
Os tipos de obesidade atingem mais de 20% da população brasileira e podem ser dividida em categorias específicas
De acordo com um relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em maio de 2021, mais de um quinto dos adultos brasileiros sofrem com a obesidade, o que representa 22% da população. Entre pessoas de 5 a 19 anos, a taxa é de 10,8%.
Esse índice é maior do que a média global de 13% e 6,8%, respectivamente. No entanto, está abaixo das Américas, de 28,6% e 14,4%. Nos Estados Unidos, estima-se que 36,2% dos adultos estão obesos, com crianças e adolescentes na faixa dos 21,4%.
Como é de conhecimento geral, esta é uma condição que apresenta sérios riscos para a saúde.
O sedentarismo, alimentação desequilibrada, problemas psicológicos e distúrbios hormonais podem se unir para criar uma situação perigosa, com a alta possibilidade do desenvolvimento ou agravamento de diabetes, colesterol alto, hipertensão, etc.
O IMC (Índice de Massa Corporal) é o cálculo utilizado para saber se alguém é obeso – divide-se o peso (kg) pela altura ao quadrado (metros).
Mas além dessa classificação, o que muita gente não sabe é que existem diferentes tipos de obesidade, que variam de acordo com a localização de gordura pelo corpo.
Obesidade periférica
Mais comum em mulheres, a obesidade periférica se acumula principalmente nas coxas, quadris e nádegas.
É geralmente uma condição associada a problemas de circulação, como insuficiência venosa e varizes, assim como osteoartrite nos joelhos, provocada pela sobrecarga nas articulações.
Também conhecida como obesidade em pêra (por causa do formato do corpo, semelhante à fruta) ou obesidade ginóide, pode aumentar as chances de doenças cardíacas e diabetes.
Obesidade abdominal
Certamente um dos tipos de obesidade que mais incomodam quem procura emagrecer, o tipo abdominal tem a gordura majoritariamente distribuída pela região do abdômen e da cintura.
Chamada também de andróide ou obesidade em forma de maçã, é mais suscetível em homens, mas também pode afetar as mulheres.
É vista como gatilho para doenças cardiovasculares, como colesterol alto e infarto, além de diabetes, inflamações diversas e trombose.
Obesidade homogênea
Em casos como esse, não há concentração de lipídeos em uma parte específica do corpo, mas, sim, uma distribuição generalizada.
Representa um perigo ainda maior pelo fato de que, em comparação aos outros tipos de obesidade, os impactos da categoria homogênea em relação à aparência física são menores.
Isso faz com que a pessoa não tenha total ciência do que está acontecendo e não tome medidas de reversão tão cedo, aumentando os riscos de piora em possíveis doenças causadas pelo excesso de peso.
Reconhecendo a obesidade

Além dos números na balança, medidas no espelho e das doenças mais conhecidas, a obesidade também se manifesta em outros sinais, como:
- Problemas respiratórios: falta de ar, respiração pesada, fôlego curto…
- Dores no corpo: em especial nas costas, ombros, joelhos e pernas
- Manchas escuras na pele: principalmente no pescoço, axilas e virilhas; é uma reação provocada pela resistência à insulina (pré-diabetes)
- Condições dermatológicas: na maioria dos casos, dermatites e infecções fúngicas causadas pelo acúmulo de suor e sujeira entre as dobras do corpo
- Dificuldade para dormir: roncos e apnéia do sono devido à concentração de gordura sobre o pescoço e vias respiratórias
- Impotência e infertilidade: as alterações hormonais prejudicam o desempenho sexual e o sistema reprodutor
- Distúrbios emocionais: insatisfações com a própria imagem e dificuldade de relacionamentos interpessoais podem causar ansiedade, depressão e compulsão alimentar
Como tratar
Independentemente dos tipos de obesidade e dos sintomas observados, é importante procurar ajuda médica o quanto antes para tratar o problema.
Infelizmente, muitos ainda acham que ser obeso é o resultado de preguiça ou deleixo, mas a verdade é que a condição é uma doença que envolve uma série de fatores sérios – e não somente comer demais. Por isso, deve ser tratada como tal.
As pessoas funcionam de maneiras diferentes. Assim, a orientação de um profissional qualificado é fundamental para que seja possível perder peso de maneira eficiente e responsável, sempre levando em consideração as particularidades de cada indivíduo.
Reeducação alimentar
Mudar a alimentação é o primeiro passo de qualquer tipo de plano de emagrecimento, dos mais simples aos mais complexos.
Cortar o consumo de produtos com muita gordura, açúcar e sódio já é de grande ajuda para perder peso.
O objetivo da reeducação alimentar também é estimular práticas mais saudáveis, que aumentam a qualidade de vida. Desta forma, um nutricionista deve ser consultado.
Exercícios físicos
Para maior queima de calorias, fortalecer o corpo e regular o metabolismo, praticar exercícios é fundamental durante o processo de emagrecimento.
A recomendação é buscar um educador físico para determinar as atividades mais apropriadas para cada paciente, de acordo com suas limitações e objetivos, para garantir mais resultado e segurança.
Balão gástrico
Para casos mais severos de obesidade, recomenda-se o balão gástrico para quem não está apto ou não tem o desejo de recorrer à cirurgia bariátrica.
Por ser um método não invasivo, o balão tem implantação e recuperação bastante simples e rápidas, causando menos transtornos do que operações.
Ocupando quase 50% da área total do estômago, tem a função de inibir a fome ao proporcionar maior sensação de saciedade, estimulando a perda de peso.
No entanto, esta não é uma técnica independente, e deve andar junto a novos hábitos alimentares e comportamentais, bem como o acompanhamento médico durante todo o tratamento.
Depois de 12 meses, o balão gástrico é retirado e a pessoa deve estar pronta para seguir sua nova jornada sem a interferências de terceiros, sendo movida apenas pelos novos hábitos saudáveis que adquiriu enquanto ainda usava o dispositivo
